A presença de um acompanhante de escolha da mulher durante todo o trabalho de parto é fundamental para uma boa experiência e é uma recomendação da Organização Mundial de Saúde – OMS. A OMS incentiva a presença durante o trabalho de uma pessoa escolhida pela mulher por reconhecer que isso tem como benefícios:

  • garantir um melhor atendimento para a mulher;
  • estimular o parto normal;
  • diminuir a duração do trabalho de parto;
  • diminuir o medo, a tensão e, consequentemente, aliviar a dor;
  • aumentar a sensação de prazer e satisfação no parto;
  • diminuir a ocorrência de depressão pós-parto;
  • favorecer o aleitamento materno;
  • fortalecer o vínculo entre o acompanhante, a mulher e o bebê.

Ter um acompanhante é um direito garantido por lei no Brasil. Nos hospitais particulares de São Paulo que estão alinhados com essas recomendações, é permitida a presença de um acompanhante e de uma doula. Essa distinção é feita pois entende-se que a profissional atua dando outro tipo de suporte, diferente do apoio oferecido pela pessoa que a mulher escolheu para acompanhá-la no momento do parto.

Crianças podem acompanhar o parto?

Algumas mulheres desejam ter por perto o filho mais velho. A presença de crianças no parto é possível, desde que a sala de parto não seja em ambiente cirúrgico. Quando o parto acontece fora dessa área do hospital, também é permitida a presença de mais de um acompanhante. Na cidade de São Paulo, o único hospital com centro de parto fora do centro cirúrgico é o Hospital Israelita Albert Einstein. Nos casos em que o filho mais velho estiver presente, é importante que ele acompanhe a mãe em algumas consultas para se familiarizar com a equipe. Também é aconselhável que no dia do parto tenha alguém que possa dar atenção a ele e que possa sair da sala caso a presença da criança atrapalhe a mulher a relaxar, ou se a própria criança manifestar a vontade de sair. É importante ter essa liberdade, pois nem toda criança quer estar presente na hora do nascimento, podendo entrar na sala assim que o bebê nascer, nesses casos.

Quantos acompanhantes ter?

Embora o momento seja único e especial, é sempre bom lembrar que “uma pessoa a mais no quarto, uma hora a mais no parto”. Ou seja, quanto mais gente estiver presente, maior a chance de alguém estar tenso, ou com medo, e essa tensão ser transferida para a mulher, atrapalhando a evolução do trabalho de parto.  Isso acontece porque pessoas com medo liberam adrenalina, deixando o ambiente tenso e contaminando quem esta ao redor. A adrenalina é antagonista da ocitocina, hormônio que atua para a boa evolução do trabalho de parto, e em excesso atrapalha a mulher no processo de relaxamento e liberação dos hormônios que orquestram o parto. Por esse motivo, é importante que as pessoas que estarão presentes no parto tenham as mesmas informações que levaram a mulher a escolher esse tipo de assistência. Também é fundamental que se sintam também seguras no momento do parto, para que passem essa tranquilidade e segurança para a mulher.   Ter um acompanhante torna o parto uma experiência melhor

Depoimento de uma mãe que pariu acompanhada pelos dois filhos

“Muitas pessoas têm me perguntado: o que é parto humanizado? Seus filhos participaram do parto? Segundo os profissionais que trabalham nesta área: “Humanizar é acreditar na fisiologia da gestação e do parto. Humanizar é respeitar esta fisiologia, e apenas acompanhá-la. Humanizar é perceber, refletir e respeitar os diversos aspectos culturais, individuais, psíquicos e emocionais da mulher e de sua família. Humanizar é devolver o protagonismo do parto à mulher. É garantir-lhe o direito de conhecimento e escolha”. Em relação às crianças, ter meus filhos comigo durante o trabalho de parto e a nascimento do terceiro filho foi emocionante e fez eu me sentir completa. Sempre foi um desejo meu e do meu marido que fosse assim. Mas é muito importante respeitar o real desejo da criança de presenciar aquele momento. Eles demonstrando o desejo de participar deste momento, deve haver acompanhamento e preparação, com conversas, brincadeiras, leituras e até exibição de vídeos educativos se considerar necessário. Fiz isso tanto com a primeira quanto com o segundo, de maneira diferente de acordo com a idade de cada um. A vinda de um irmãozinho novo gera sentimentos diversos nas crianças, tanto amorosos como hostis. Se os mais velhos se sentirem incluídos no processo e na recepção, isso pode ajudá-los a entender de maneira positiva as mudanças que vão ocorrer na família. Esse laço traz um ganho extraordinário. Para nós a experiência foi ímpar e tenho certeza que lembrarão para sempre com carinho deste momento”. (Depoimento de N.W.)